26/05/2026

Hérnia de disco: a cirurgia é sempre a única solução?

Hérnia de disco: A cirurgia é sempre a única solução? Receber o diagnóstico de hérnia de disco frequentemente gera uma preocupação imediata: "Vou precisar operar?" A resposta, na grande maioria dos casos, é não. A cirurgia é indicada em situações bem específicas, e o tratamento conservador resolve com sucesso a maior parte dos pacientes.

O que acontece na hérnia de disco?

A coluna vertebral é formada por vértebras separadas por discos intervertebrais, estruturas com uma camada externa fibrosa (ânulo fibroso) e um núcleo interno gelatinoso (núcleo pulposo). Na hérnia, parte desse núcleo ultrapassa o ânulo e pode comprimir raízes nervosas próximas, causando dor, formigamento, dormência ou fraqueza nos membros.

A região lombar, especialmente os níveis L4-L5 e L5-S1, é a mais afetada, seguida pela coluna cervical.

A maioria dos casos melhora sem cirurgia

Estudos de imagem mostram um fenômeno chamado reabsorção espontânea: o material herniado pode diminuir de tamanho ou desaparecer completamente ao longo do tempo, sem qualquer intervenção cirúrgica. Esse processo ocorre porque o organismo reconhece o tecido herniado como estranho e o reabsorve gradualmente.

Pesquisas apontam que cerca de 60 a 90% dos pacientes com hérnia de disco lombar apresentam melhora significativa dos sintomas em até 12 semanas com tratamento conservador adequado.

Quais são as opções de tratamento não cirúrgico?

– Medicamentos, analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares para controle da dor na fase aguda, sempre com prescrição médica.

– Fisioterapia, fortalecimento da musculatura paravertebral e abdominal, estabilização lombar e técnicas de reabilitação específicas.

– RPG e pilates clínico, indicados na fase subaguda para reeducação postural e controle motor.

– Infiltração epidural de corticoide, procedimento minimamente invasivo que reduz a inflamação ao redor da raiz nervosa, com bons resultados em casos de dor irradiada intensa.

Quando a cirurgia é realmente necessária?

A indicação cirúrgica existe, e deve ser respeitada, nas seguintes situações:

– Síndrome da cauda equina: compressão grave que causa perda do controle da bexiga ou do intestino. É uma emergência cirúrgica.

– Déficit neurológico progressivo: fraqueza muscular que piora progressivamente, indicando lesão nervosa em curso.

– Falha do tratamento conservador: ausência de melhora após 6 a 12 semanas de tratamento adequado, com comprometimento significativo da qualidade de vida.

Fora dessas situações, a cirurgia é uma opção eletiva, não uma obrigatoriedade.

Ressonância magnética alterada não significa cirurgia inevitável

Um ponto importante: a imagem não opera, o paciente opera. Muitas pessoas apresentam hérnias visíveis na ressonância sem qualquer sintoma. A decisão terapêutica deve ser baseada no quadro clínico completo, sintomas, exame físico e impacto na vida do paciente, não apenas no exame de imagem isolado.

O acompanhamento com um ortopedista especializado em coluna é fundamental para que cada caso seja avaliado individualmente e o melhor caminho seja traçado com segurança.